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Artes 

Anna Bella Geiger e o mar

Anna Bella Geiger é uma artista-chave na produção contemporânea brasileira. Sua obra se faz presente desde a afirmação da arte abstrata no país, assumindo nas décadas seguintes papel protagonista na nova figuração dos anos 1960, nas investidas experimentais questionadoras do conceito de arte da década de 1970 (nas quais a crítica política ao regime vigente ganha ênfase) e nas pesquisas dedicadas à pintura nos anos 1980, focos de seu trabalho na Coleção João Sattamini / MAC Niterói.

Uma particularidade de sua carreira foi a de, mesmo atenta aos principais movimentos de arte de seu tempo, desenvolver uma linguagem que não se enquadrava nem na disputa abstração informal x geométrica, nem nas definições de “pop” ou “conceitual” ou de “retorno à pintura” que, via de regra, descreveram a passagem entre a arte moderna e a contemporânea.

Há o cruzamento de linguagens artísticas, quando, por exemplo, o desenho começa a literalmente saltar do papel, criando um espaço e um volume tridimensionais, ou quando ela imprime uma imagem apropriada sobre uma tela, sobrepondo assim os campos da gravura e da pintura. Em outros trabalhos, a artista provocativamente se vale da semelhança com antigas cartilhas para falar da doutrinação como uma forma de alienação. E, por fim, em suas pinturas, vem à superfície uma memória da história da arte pensada como um desdobramento da discussão acerca da sua condição pós-moderna, isto é, de quando sua natureza é revista após todas as declarações de “morte da arte” que marcaram o século XX.

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