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Passo a passo, yuan chinês converte-se em moeda internacional


A China e o Japão decidiram efectuar as suas transacções comerciais bilaterais em yuan. Para os analistas, trata-se de mais um passo no longo caminho em direcção à internacionalização da moeda.

O economista Barry Eichengreen, da Universidade de Berkeley, escreveu há dois anos que tudo poderia transcorrer de maneira muito rápida, já que o dólar norte-americano, no início do século 20, só precisou de 10 anos para escalar do status de moeda regional para internacional. O mesmo poderá acontecer com o yuan chinês, previu Eichengreen.

"Mesmo que se questione quando isso vai ocorrer – não se sabe se Xangai vai se tornar, de fato, um centro financeiro internacional em 2020 e o yuan uma moeda internacional de primeira linha – não há como duvidar do rumo das coisas", afirmou o economista. Há duas semanas, um acordo selado entre a China e o Japão veio, mais uma vez, confirmar a tese de Eichengreen.

Brasil: reservas de divisas em yuan

Pequim e Tóquio decidiram, no dia 26 de dezembro último, efetuar seus negócios diretamente em yuan. A segunda e a terceira economias do mundo concluíram no ano de 2010 transações comerciais em torno de aproximadamente 260 bilhões de euros. Além disso, empresas japonesas podem investir em ações chinesas. "Este foi um passo político significativo", diz Hosuk Lee-Makiyama, do Centro Europeu de Economia Política Internacional, um instituto de pesquisa sobre política econômica internacional, sediado em Bruxelas.

Com isso, as empresas japonesas não correm riscos com a moeda", diz o economista. Até então, as firmas japonesas eram obrigadas, da mesma forma que as de outros países, a converter os valores primeiro em dólar, para então convertê-los em yuan chinês. Toda oscilação de câmbio neste ínterim significava um risco para a empresa.

Há algum tempo, o governo chinês começou a tomar medidas para estabelecer o yuan, também chamado de renminbi (moeda do povo), no mercado internacional. Desde 2010, é possível emitir ações em yuan na bolsa de Hong Kong. Alguns bancos centrais, como por exemplo o do Brasil e o da Nigéria, já investiram parte de suas reservas de divisas em yuan. "A internacionalização da moeda chinesa acontece frente aos nossos olhos", afirma a investidora de um banco em Hong Kong. "O caso do Japão ilustra isso", completa.

"Próximo à possibilidade de conversão total"

No futuro, Londres e Cingapura também deverão emitir títulos em yuan. O Banco Central Chinês (BCC) pretende ampliar gradualmente o limite dentro do qual o câmbio do yuan poderá oscilar. "A tendência é a liberalização", confirmou Zhou Xiaochuan, presidente do BCC, em entrevista.

"A China não está longe de uma completa convertibilidade", disse ele. Isso significa que qualquer investimento financeiro em outras moedas poderá ser convertido em yuan e que a moeda poderá ser negociada a preço de mercado.

Entretanto, ainda não se pode prever quando a atual tendência se transformará em convertibilidade real. Embora a China seja a terceira maior economia do mundo e, como nação exportadora, um parceiro importante no mercado internacional, o yuan não desempenha, até agora, um papel relevante nos mercados financeiros.

Nem 1% das divisas comerciais internacionais é efetuado em yuan, uma vez que Pequim se retrai quando o assunto é a liberalização da moeda. O governo chinês quer evitar que haja especulação com a entrada de capital excessivo no mercado nacional.

Por isso, o câmbio do yuan não é determinado pelos mercados, mas sim pelo Banco Central Chinês, que define os parâmetros dentro dos quais o yuan pode oscilar em relação ao dólar. Transferir dinheiro entre o exterior e a China exige uma burocracia considerável.

Tanto os investimentos de empresas chinesas no exterior quanto os de empresas estrangeiras na China precisam de uma permissão dupla para serem concretizados: primeiro, a transação comercial precisa ser permitida como tal, para que depois se obtenha uma permissão do BCC para a efetuação do câmbio entre o yuan e o dólar.

"Pequenos passos"

"Internacionalizar o renminbi significaria abrir os mercados financeiros chineses completamente aos investidores estrangeiros", observa o economista norte-americano Barry Eichengreen. Sendo assim, o Estado teria que se abster da concessão de empréstimos pelos bancos.

As empresas estatais e os governos locais teriam que se submeter a regras orçamentárias mais rígidas e a China teria que parar de estimular as exportações através de um yuan desvalorizado. Resumindo: "Isso demandaria mudanças fundamentais no modelo de desenvolvimento chinês", escreve Eichengreen.

Até que os cidadãos que querem economizar possam mesmo trocar os velhos dólares guardados debaixo do colchão pelas coloridas notas com a imagem de Mao, vai demorar certo tempo. "O acordo com o Japão corresponde a apenas um pequeno passo em uma longa estrada de milhas e milhas", resume Hosuk Lee-Makiyama.

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Data: 2012-01-13

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