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O Oriente dos viajantes medievais

As narrativas das viagens medievais (conhecidas como mirabilia) tinham como fio condutor as experiências dos viajantes, que revelavam um mundo desconhecido e insólito, em que não se via apenas com os olhos, mas também com os olhos "da alma": a imaginação.
Claude Kappler reforça a ideia de que, durante a Idade Média, os viajantes partiam em busca de um mundo novo, “num lugar não definido em termos geográficos, mas idealizado, um lugar pra lá da fronteira que dividia a Europa da Ásia, o mundo visível, do desconhecido”.

VIAJANDO PELA HISTÓRIA DOS DESCOBRIMENTOS

Araribóia - Ilustríssimo chefe indígena

No Espírito Santo, a parceria com os temiminós rendeu a Portugal importantes acções de defesa do território. Os índios destacaram-se na luta contra outras tribos hostis e contra piratas na costa. Tanto que, em 1564, Araribóia e seus liderados juntam-se a Estácio de Sá (1520-1567) em investidas contra os franceses, com o objectivo de fundar a povoação do Rio de Janeiro. “Acompanhava a frota um índio, de nome Arary-boia – que ficou registado na história do tempo como Martim Afonso Araribóia – e que era amigo dos portugueses desde a época em que a terra de Piratininga fora desbravada. Agora, fizera companhia a Estácio para o ajudar a estabelecer-se na terra dos Tamoios”, relata o padre José de Anchieta (1534-1597).

MAR: Ousadia e Medo

"(...) é habitual afirmar-se que os primeiros navegadores portugueses tiveram de vencer o medo do mar para de aventurarem no mar oceano desconhecido e assim dar início às ousadas viagens oceânicas que os levaram a percorrer os quatro cantos do globo. Consideramos que não é assim tão simples, pois os mareantes lusos (e todos os outros europeus) não venceram o medo, antes fizeram algo bem mais ousado: aprenderam a viver com ele. (...) Esse medo - que podemos considerar como novo, pois resulta do contacto direto e brutal com a realidade, ao contrário do medo dos séculos anteriores, que tinha origem sobretudo no ouvir dizer (...)"

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O Medo do Mar

Para o homem europeu, o oceano era um lugar perturbador, onde o reino da água excluía a vida humana. O homem podia percorrer os rios, navegar nos mares interiores, mas quando as águas se estendiam a perder de vista, até distâncias completamente desconhecidas, como o caso do oceano Atlântico, então o mar transformava-se no reino de todos os monstros.

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Benguela anexada ao Brasil?

Entre tantas idas e vindas transatlânticas, não surpreende que um carioca se tenha tornado governador de Benguela, em 1835. Justiniano José dos Reis havia sido membro da junta do governo provisório da cidade durante o período turbulento que se seguiu à independência do Brasil – quando Benguela foi chacoalhada por rumores de um movimento golpista cujo alvo era sua anexação à ex-colónia tropical.

Um dos suspeitos de participar da conspiração foi o carioca Francisco Ferreira Gomes, que vivia em Benguela desde 1800. Também ele um degredado, fora soldado no Batalhão de Henriques, força militar formada só por negros, inspirada no lendário grupo homónimo que existira no Brasil, batizado em homenagem a Henrique Dias, herói negro das guerras contra os holandeses em Pernambuco no século XVII.

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Terra de oportunidades

Nos tempos da independência, vários brasileiros fizeram fama e fortuna do outro lado do oceano.
Com a independência do Brasil, Portugal correu o risco de perder, por tabela, outra colónia: Angola. Temia-se que a possessão africana fosse anexada pelos brasileiros. E havia bons motivos para essa preocupação.
Durante mais de 300 anos, ambas as regiões estiveram nas duas pontas do tráfico de escravos. Quase 70% dos cerca de cinco milhões de africanos que desembarcaram no Brasil vinham do Congo e de Angola. E as relações iam muito além do comércio negreiro: pelo menos desde o século XVII, africanos da costa centro-ocidental e brasileiros estavam unidos por laços mercantis, familiares e culturais.

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Embarque sem volta

A bordo da nau Príncipe Real, chegaram ao Rio de Janeiro, em 1808, a rainha D. Maria, o príncipe D. João e seu filho D. Pedro. Essa história todo mundo conhece, e também o desfecho: treze anos depois, D. João VI regressa a Portugal, mas deixa o filho, responsável pela Independência, em 1822. Menos conhecido é o destino daquele navio. Ao contrário de seus ilustres passageiros, a embarcação teve um fim nada nobre: foi transformado num depósito de prisioneiros conhecido como “Presiganga”.

Cartografia náutica portuguesa

Armando Cortesão definiu quatro grandes marcos na história da ciência náutica e da cartografia: o desenvolvimento da carta‑portulano, no século XIII, no Mediterrâneo; a invenção da navegação astronómica e consequente introdução da escala das latitudes nas cartas, em finais do século XV; a descoberta da loxodrómia e a sua representação por uma linha recta na carta desenhada segundo a projecção de Mercator; e por último o aperfeiçoamento do cronómetro, pelo inglês Harrisson, em finais do século XVIII, que permitiu a determinação da longitude no mar.

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Unidos pelo tráfico

Entre os anos 1600 e 1800, mais de 3,1 milhões de pessoas, só da região Centro-Ocidental de África, embarcaram rumo à escravidão nas Américas e em ilhas africanas como São Tomé. No entanto, a escravidão em África é bem anterior à presença dos europeus no continente. O reino do Congo, por exemplo, já usava mão de obra escrava para o serviço militar, administrativo e na agricultura antes da chegada dos portugueses, no início do século XVI.

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Um toque de além-mar

Na tela, um estudioso mexe nos objectos de sua escrivaninha. Ele abre a caixa de escrita e tira uma pena, talvez também procure tinta. Ao mesmo tempo, olha para o livro aberto em cima da mesa, especialmente iluminado pela luz do dia que entra pela janela.

Este poderia ser apenas mais um quadro holandês antigo e passar despercebido para um observador brasileiro. Mas, reparando bem, há na pintura um elemento especial: no grande quadro pendurado na parede branca aparece a costa de Pernambuco, na altura de Recife e Olinda.

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Conquista nada pacífica

A Oceania foi o último continente “descoberto” e colonizado pelos europeus. Com ilhas dispersas numa fatia de oceano, da Austrália aos pequenos atóis, as histórias dos seus povos são profundamente relacionadas com o mar. Os polinésios, com as suas enormes canoas, descobriram e povoaram ilha após ilha, até chegarem às mais remotas, por volta do século X. Existe até mesmo a hipótese de que povos dessa região realizaram, por mar, a primeira onda migratória para a América, anterior à dos asiáticos, dos quais descenderiam os nossos indígenas.

Foi também pelo mar que a sua história sofreu a guinada mais radical, com a chegada dos europeus. Não foram pacíficas as relações entre esses novos conquistadores e os nativos.

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Américo antes da América

O indivíduo cujo nome baptizaria um continente passou boa parte de sua vida à margem do poder e das glórias. Antes de inscrever o seu nome na história das navegações e na geografia do mundo, Américo Vespúcio (1454-1512) coleccionou inúmeras vocações, nem sempre bem-sucedidas: empregado dos Médici, credor, revendedor de pedras preciosas, mediador de conflitos, armador, investidor, piloto improvisado. Ainda hoje a imagem de sábio se confunde com a de charlatão. A sua parábola, afinal, revela um sonhador com olhos nas estrelas ou um génio da dissimulação e da impostura?

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A dura vida dos navegantes

Fome, sede, doença e estupro eram apenas algumas das palavras incorporadas ao quotidiano dos navegantes nos séculos XV e XVI. Fugindo de uma vida dura na Europa, centenas de homens embarcaram nas caravelas dos descobrimentos. Alguns procuravam enriquecimento rápido e fama; outros, penitência pelos pecados e oportunidade de difundir a fé em Cristo. Eram atraídos pela brisa do mar e pela aventura, encontrando uma existência repleta de surpresas nem sempre agradáveis.

Entre os obstáculos que precisaram ser vencidos para desbravar os mares, nenhum supera a dureza do quotidiano nas caravelas. Os tripulantes eram confinados a um ridículo espaço que impedia qualquer tipo de privacidade. Os hábitos de higiene eram precários. Proliferavam insetos parasitas: pulgas, percevejos e piolhos. O mau cheiro acumulava-se, tornando-se insuportável em pouco tempo.

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Homem à vista!

Quando o espanhol Rodrigo de Triana, marinheiro a bordo da caravela Pinta, avistou as Bahamas às duas horas da manhã do dia 12 de outubro de 1492, estava dando início àquela que provavelmente foi a maior transformação já ocorrida no globo. A chegada das caravelas ao Novo Mundo pôs os europeus em contacto com novos produtos, novos hábitos e novas necessidades. A incorporação dessas regiões à esfera de influência da Europa teve grande importância económica, política e estratégica.

RIO DE JANEIRO, BRASIL

Copacabana de outros tempos

Por ficar numa área de difícil acesso, até ao final do século XIX só existiam na localidade o Forte Reduto do Leme, a pequena Igreja de Nossa Senhora de Copacabana e algumas chácaras e sítios.Segundo a lenda, após a chegada dos espanhóis à região, Nossa Senhora teria aparecido no local para Francisco Tito Yupanqui, um jovem pescador, que, em sua homenagem, teria esculpido uma imagem da santa que ficou conhecida como Nossa Senhora de Copacabana: a Virgem vestida de dourado pousada sobre uma meia-lua.

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Natureza iluminada

Riquezas minerais, uma imensa variedade animal, plantas em uma profusão de cores e formas. Se hoje a natureza exuberante do território brasileiro inspira movimentos de preservação do meio ambiente, em fins do século XVIII ela atraiu a atenção de naturalistas portugueses, que tentavam torná-la algo compreensível para os europeus civilizados, além de rentável para a Corte.

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Reveladas novas imagens dos destroços do Titanic

A missão a mais de três mil metros de profundidade foi realizada no início do mês de agosto, no Oceano Atlântico. O Titanic atingiu um iceberg a 14 de abril de 1912, quatro dias após ter dado início à viagem inaugural. O navio naufragou na madrugada seguinte. Dos 2223 passageiros e tripulantes a bordo, 1517 morreram.

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Diversão a bordo

A tensão na rotina das caravelas era amenizada em algumas ocasiões especiais. Os padres embarcados encarregavam-se de actuar como apaziguadores dos ânimos da tripulação, usando as comemorações religiosas para canalizar as atenções em prol da vida espiritual. As festas tinham a função de entrosar os participantes. Além disso, celebrar um dia santificado era uma tentativa de domar as forças da natureza, expressas nas calmarias e tempestades, uma busca de protecção contra as intempéries.

Descobrimentos e as marcas da globalização

Se as lendas sobre os seres fantásticos de terras ignotas podiam gerar curiosidade e quiçá uns calafrios aos mais imaginativos, a realidade próxima dos europeus provocava-lhes um grande receio. Se a ausência de viagens de exploração para as águas ocidentais se compreendia, devido ao desconhecimento de terra firme alcançável e devido à falta de meios de orientação em mar alto aberto, a recusa de explorarem a costa ocidental africana radicava apenas no medo – todos criam que as águas a sul do Bojador eram povoadas por seres bestiais e agressivos, e todos julgavam que a própria água era quente demais por causa do aumento do calor sempre que se avançava para sul.

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Novo mundo, novos termos

1492 mudou o mundo. Diferentes interpretações e conceitos tentam explicar as origens e os motivos dessa mudança. Mas cada um deles corresponde a diferentes posições ideológicas e pontos de vista dos estudiosos que se debruçam sobre a questão. O que parecia claro a todos é que tamanha transformação não podia ser atribuída apenas ao avanço da técnica ou ser mero reflexo da expansão comercial e marítima e da conquista de mercados, próprias da revolução comercial que se instalou na Europa no final da Idade Média.

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